Reportagem

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Acessibilidade na construção: entenda a importância

A acessibilidade na construção civil é a manutenção do direito de ir e vir para todos, tornando possível que pessoas com qualquer tipo de limitação, sejam elas permanentes ou temporárias, exerçam sua autonomia livremente.

O conceito surgiu nos Estados Unidos, na década de 1960, para definir um padrão (de produtos e ambientes) que atendesse a todos de forma inclusiva, sem que fossem necessárias adaptações extras. 


Continue lendo para saber mais sobre esse conceito integrativo e inclusivo, adjetivos muito importantes para uma sociedade virtuosa. 

Conheça algumas das normas mais importantes

Segundo o censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), haviam 45,6 milhões de pessoas, equivalente a cerca de um quarto da população brasileira, que declaravam algum tipo de deficiência (auditiva, visual, motora ou mental). 


Sem dúvidas, esses números justificam a regulamentação no Brasil, dos serviços de engenharia civil e arquitetura pela Lei da Acessibilidade, o Decreto 5.296/04 que normatiza e torna obrigatória a acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, o que inclui também crianças pequenas. 


Ele é a base das regras que orientam as construções de instalações públicas ou privadas, assim como a urbanização das vias. Parte da ideia de um desenho universal, buscando conforto, segurança e funcionalidade. 


Todos os parâmetros que dizem respeito à construção civil, assim como as adaptações em prol da acessibilidade, desde o dimensionamento, aplicação e manutenção devem seguir às normas vigentes determinadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 


Assim sendo, é regulamentado desde a densidade padrão do aço para construção até os procedimentos manuais.


Por exemplo, os critérios para a adaptação de ambientes, edificações, mobiliários e demais equipamentos urbanos são determinados pela ABNT NBR 9050:2004. 


Ademais, as NBR 's (Normas Brasileiras) estão em constante atualização, acompanhando as diferentes necessidades e tecnologias. 

Não se trata de custo, e sim de investimento

Investir em mobilidade só agrega benefícios e vale a pena em qualquer imóvel, sendo uma ótima forma de valorizá-lo no mercado. Você pode conferir isso em qualquer agência de serviços de avaliação imobiliária.


Uma vez que se dispense as tecnologias sofisticadas, o investimento necessário para atender às normativas legais, corresponde a um adicional mínimo de custo no valor de uma obra convencional. Essa variação é de cerca de 5% frente a uma valorização média de 15%.  


Para garantir a economia, o ideal é definir todas as medidas pertinentes à acessibilidade já no projeto, antes que se inicie a construção. Indicamos que caso opte por fazer as adaptações aos poucos, priorize quartos e banheiros. 


Na verdade, em sua grande maioria, adaptações para acessibilidade são bem simples, como as barras de apoio para deficientes.


Vale ressaltar que esse tipo de estrutura não é restrito ao uso de pessoas com deficiência, podendo ser muito útil para evitar acidentes de um forma geral, além da extrema funcionalidade para os idosos.


Continue lendo e confira algumas dicas para tornar qualquer ambiente mais acessível e seguro.

Dicas de acessibilidade para seu imóvel

Durante esse processo de adaptação, algumas dicas podem ajudar bastante. Pensando nisso, listamos os espaços que mais devem contar com acessibilidade, bem como de que forma ela pode ser oferecida. Confira:

1 - Portas e aberturas

O espaço mínimo entre os batentes das portas deve ser de pelo menos 90 cm. Já os modelos de correr devem ter trilhos somente na parte superior. 


A largura e a presença de obstáculos devem ser pensados considerando a facilidade no trajeto de cadeirantes e portadores de andador ou bengala.

2 - Pisos antiderrapantes

Os pisos antiderrapantes são os revestimentos indicados em toda a construção, principalmente nas áreas molhadas, como:


  • Banheiros;

  • Cozinha;

  • Lavanderias;

  • Escadas e rampas;

  • Áreas de lazer descobertas;

  • Beiradas de piscina.


É uma ótima maneira de prevenir acidentes domésticos, que podem ser muito graves. 

Evite os desníveis sempre que possível. O uso de tapetes também é desaconselhado. Materiais que não aderem ao piso comumente levam a tropeços e escorregões. 


Além disso, podem causar situações desagradáveis ao enroscar nas rodas durante a passagem de cadeirantes ou aqueles que fazem uso de andadores com rodinhas. 

3 - Rampas de acesso

Todas as passagens com escadas devem ter rampas de acesso, ou pode optar pela instalação de elevador de acessibilidade ou plataformas elevatórias.


Para dimensionar as rampas adequadamente, deve-se considerar o comprimento da projeção horizontal e a altura do desnível. 


Não devem ter inclinação maior que 8% para garantir que os cadeirantes possam se locomover sem depender de terceiros, com total autonomia.


Recomenda-se também a construção de patamares para o descanso a cada 50 m para inclinações entre 6,25% e 8,33%. 

4 - Passagens e vãos

Assim como as portas, a largura mínima das áreas de circulação deve ser de 90cm. Os dormitórios devem ter uma área livre de, pelo menos, 1,50m de diâmetro, permitindo o giro completo de cadeiras de roda. 


A liberdade no movimento é fundamental para que o cadeirante possa manobrar, além de poder se deitar e levantar sem ajuda.

5 - Escadarias

Outro fator que não pode ser desconsiderado por nenhuma administradora predial é o dimensionamento das escadarias.


Sua inclinação transversal não deve ser superior a 1% em escadas internas e 2% nas externas. A largura deve ser pensada de forma proporcional ao fluxo de pessoas. 


Para áreas de uso comum, 1,20m é o mínimo admissível. Todas as escadas devem ter corrimãos e guarda-corpos fixados nas estruturas.

6 - Barras de apoio

Como já foi mencionado, as barras de apoio são muito importantes. Elas dão apoio e firmeza para os movimentos, além de permitirem que idosos e deficientes possam ficar sozinhos nesse ambiente íntimo.


Devem ser instaladas nas paredes dos banheiros, especialmente no box e em torno dos sanitários. 


Segundo as normativas, elas devem ser inteiramente feitas de aço inox, uma vez que esse material é resistente à corrosão, e sua empunhadura deve ser ergonômica, para que não prenda o braço do usuário.

7 - Mecanismos de acionamento

Todos os mecanismos de acionamento devem ter adaptações, como alavancas compatíveis com as normas da ABNT. Esses mecanismos compreendem:


  • Tomadas e interruptores; 

  • Maçanetas e comandos de janelas;

  • Registros, torneiras e válvulas de descargas;

  • Quadros de luz;

  • Interfones. 

8 - Luzes com sensor de movimento

Dentro e fora de casa é necessário instalar luzes com sensor de movimento. Acendem pela detecção de movimento pelo sensor, garantindo maior segurança para se movimentar pela residência durante o período noturno.


Durante o dia os sensores devem permanecer desligados para economia de energia elétrica.

9 - Tecnologias de automação

A automação residencial é uma ótima pedida, permitindo que se controle os ambientes por comando de voz ou por interfaces físicas, como aplicativos de celular.


Existe uma série de funcionalidades, como a regulagem da temperatura, abertura das cortinas, controle das lâmpadas entre muitas outras. A instalação de um portão automático também é aconselhada.

10 - Estilo minimalista

Em relação à decoração, quando o assunto é acessibilidade, deve-se prezar por um estilo minimalista. Quanto mais clean, menos móveis e objetos decorativos (principalmente nas passagens), melhor. Os ambientes integrados são ideais para um movimento livre. 


Os cantos devem ser arredondados para evitar acidentes mais graves nas batidas, e os estofados devem ser feitos com uma espuma rígida, para que o movimento de se levantar não seja tão difícil. 


Alguns ótimos itens decorativos são os espelhos inclinados que facilitam a visualização por cadeirantes. As ilhas de apoio nas cozinhas trazem charme ao ambiente e facilitam a manipulação de alimentos e utensílios.


A pia deve contar com um vão livre com espaço suficiente para o posicionamento da cadeira de rodas.

Conclusão

A acessibilidade na construção civil é legalmente obrigatória e não deve ser encarada como um custo, uma vez que quase todas as soluções podem ser incluídas já na fase de projeção de forma natural e econômica. 


Além disso, todas as diretrizes são pensadas para segurança de forma geral, e não apenas direcionadas para deficientes e idosos. Todos os moradores e transeuntes são beneficiados, principalmente grávidas e crianças.


No entanto, pensar a arquitetura do local é apenas parte da questão. A consciência e a empatia são fundamentais, pois de nada adianta uma estrutura bem projetada se os usuários atrapalharem o caminho.


A melhor forma de acertar em uma construção acessível é ouvir a opinião daqueles que dependem das adaptações, como os cadeirantes. São as pessoas ideais para apontar novas soluções e nos dizer o que realmente funciona no dia a dia.


A acessibilidade na construção civil transforma a realidade de pessoas com deficiência, assim como a dinâmica da comunidade, que se torna inclusiva. Pequenas medidas resultam em autonomia e bem-estar.


O impacto ocorre desde a geração de mais autoconfiança e liberdade para essas pessoas, mudando profundamente a qualidade de vida de todos os envolvidos.


Indicamos sempre contratar uma empresa especializada em construção civil responsável. Isso garante que todas as normas técnicas sejam rigorosamente seguidas, além de evitar muita dor de cabeça, tanto durante quanto após a entrega da sua obra.


Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.