Reportagem

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Como estruturar o projeto de combate a incêndio de sua construção?

Já é do conhecimento de muita gente que ter um projeto de combate a incêndio é importante para qualquer construção, afinal, é com ele que se minimizam os impactos e danos causados por incêndios nas edificações.

Também é por meio dele que acidentes com fogo são prevenidos, mas, caso ocorram, o projeto garante que todos saiam em segurança.

Ademais, é importante ressaltar que muitas situações podem provocar um incêndio, como vazamento de gás, ação humana, curto-circuito ou até descuidos humanos ao lidar com o fogo.

É por essa razão que esse projeto precisa dispor de equipamentos adequados, espaços pensados para a evacuação emergencial e possibilitar a ação rápida dos bombeiros.

Inclusive, muitos incêndios poderiam ter sido menos graves se o projeto tivesse sido bem planejado. As ações do momento também contam, mas elas precisam ser guiadas pelo projeto para que os estragos sejam menores.

Assim sendo, quem está construindo ou reformando precisa contar com um bom projeto de combate a incêndio para garantir a segurança do local e de todos os seus frequentadores.

Então, neste artigo, vamos falar sobre a importância desse projeto, quais legislações deve seguir, quais são os itens necessários e as classes de incêndio. Confira o artigo até o final para entender mais sobre o assunto.

Importância do projeto de combate a incêndio

O Projeto de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) é um documento importante que estabelece todas as necessidades e características de um edifício referente ao sinistro. Por meio dele, é possível garantir a segurança do imóvel e de seus usuários.

Se o proprietário não possuir esse documento, está sujeito a receber notificações, multas e outras penalidades, quando acontece a vistoria do Corpo de Bombeiros.

Isso pode gerar várias consequências, como o fechamento do local, uma vez que não apresenta os requisitos mínimos de segurança.

Por exemplo, uma empresa de gestão de condomínios deve sempre manter esse documento em ordem, porque é por meio dele que se obtém o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Também é por meio dele que se obtém parte do Alvará de Funcionamento, para os imóveis comerciais; e o Habite-se, para os imóveis residenciais.

As legislações que determinam como deve ser esse documento são estaduais, ou seja, é necessário verificar qual é a lei vigente em seu estado para elaborar o projeto.

De qualquer forma, é necessário seguir algumas NBRs, como a NBR 15575, que obriga o cumprimento de outras normas, como NBR 9077; NBR 5410; NBR 15200; NBR 14323 e NBR 14432.

Uma lei mais recente, mas que também precisa ser seguida, é a Lei Kiss, criada após o incêndio na Boate Kiss, no Rio Grande do Sul. Assim, a Lei nº 13.425/2017 tornou mais rigorosa a fiscalização do PPCI.

Agora, ele deve ser conferido tanto pelo Corpo de Bombeiros quanto pelos Conselhos de Engenharia e Arquitetura e Prefeitura.

De acordo com a NBR 13714 – 2000, toda edificação, seja ela residencial, comercial, industrial ou locais públicos, com ou sem central de alarme de incêndio, e que possua área superior a 750 m² e altura superior a 12 m deve incluir sistemas hidráulicos de prevenção e combate a incêndio.

Todas as edificações são classificadas pela mesma norma (NBR 13714 – 2000), que são classificadas em grupo, de acordo com a ocupação e com a dimensão do local.

Mas antes de elaborar o projeto, é importante conversar com especialistas no assunto, para saber qual a real necessidade do espaço.

Itens que devem constar no projeto

O Projeto de Prevenção e Combate a Incêndios deve estar dentro das exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e das normas do Corpo de Bombeiros.

Esses órgãos oferecem orientações referentes à localização e outros detalhes pertinentes a cada elemento do projeto. O profissional deve apresentar aos órgãos competentes um projeto que possua:

  • Plantas;

  • Detalhes;

  • Memoriais descritivos;

  • Desenhos;

  • Planilhas;

  • Especificações de sistemas e medidas de segurança.

Além disso, dependendo do tamanho e da complexidade, o projeto de combate a incêndio pode incluir alguns elementos, como extintores de incêndio, mangueiras e esguichos, abrigos de hidrantes, extintores e acessórios de casa de bomba.

Também pode contar com sistemas de iluminação e sinalização de emergência, alarmes e sirenes, serviços de serralheria, guarda corpos, serviços de pinturas de pisos e posicionamento das tubulações e instalação de gás combustível.

Por fim, também pode conter proteção contra descargas atmosféricas, sistema de alarme e detecção de incêndio, além de escada pressurizada.

Depois que tiver as legislações adequadas em mãos, o proprietário deve classificar sua edificação quanto ao uso e ocupação, ou seja, se o local é um edifício hospitalar, uma instituição de ensino, uma residência, dentre outras possibilidades.

Também vai determinar sua altura, área e risco de incêndio, e para determinar o risco, é preciso saber a carga de incêndio, ou seja, a soma das calorias, caso houver uma combustão de todos os materiais presentes, dividida pela área local.

Também é importante escolher adequadamente os equipamentos, como hidrante de coluna, bem como as medidas de segurança contra incêndio e pânico que serão incluídas no projeto.

Para isso, é necessário saber o tipo de ocupação, a altura ou o número de pavimentos, o total de área construída, a capacidade de lotação, os riscos de incêndio e os riscos especiais.

O projeto pode contar com sistema de proteção por extintores, que ajudam a combater os princípios de incêndio. Também pode haver sistema hidráulico preventivo, como rede de tubulações, que ajudam a conduzir a água para combater princípios de incêndio.

As saídas de emergência também podem ser incluídas, visto que representam caminhos percorridos para fugir do incêndio, como rampas, acessos, escadas e outros.

O projeto também pode ter sistema de instalação de alarme e detecção de incêndios, sistema de proteção por chuveiro automático, que são redes de tubulações ligadas a chuveiros que, normalmente, são acionados pelo calor do fogo.

Também é possível contar com proteção contra descargas atmosféricas e instalações de gás combustível, para manipulação, armazenamento, comercialização, dentre outras finalidades de gás (GLP).

Depois de definir todos os elementos que compõem o projeto, podemos nos dedicar ao seu dimensionamento, desenhar as plantas de representação dos sistemas, dentre outros detalhes.

Nesta parte, também vamos indicar as características técnicas dos equipamentos, planos de emergência, qual placa de sinalização de segurança que será usada, memoriais descritivos e os cálculos.

Por fim, também será separada toda a documentação necessária para que o projeto possa ser apresentado e aprovado pelo Corpo de Bombeiros.

Agora que você já conhece todos os elementos que podem estar presentes no seu projeto de prevenção e combate a incêndios, no próximo tópico, vamos mostrar alguns tipos de incêndios e como são combatidos. Confira.

Tipos de incêndio e como combatê-los

Existem 5 tipos diferentes de incêndios que podem afetar as construções, e são classificados de A a K. O que os diferencia é a matéria-prima que desencadeou o fogo e o local onde ocorreu.

Saber identificar o tipo de incêndio é importante para você saber se deve usar uma mangueira de alta pressão ou outro equipamento para combatê-lo.

Nos incêndios de classe A temos materiais sólidos e fibrosos, como papéis, madeira e tecidos, por isso, devemos usar extintores à base de água.

Os incêndios do tipo B são provocados por líquidos e gases inflamáveis, como gás, gasolina, parafina, dentre outros. Não podemos usar extintores à base de água, apenas os de pós químico seco.

Na classe C temos os incêndios com materiais elétricos e energizados, como geradores, cabos, motores, entre outros. Eles devem ser combatidos com extintor de CO2.

Os incêndios de classe D são provenientes de metais inflamáveis, como no caso do titânio e do magnésio. Neste caso, devemos usar um extintor de pó químico para combatê-los.

Por fim, temos os incêndios de classe K, que ocorrem por conta de materiais como óleos, banhas quentes, óleos de cozinha e gorduras, que geralmente acontecem em residências, restaurantes, hospitais e praças de alimentação.

Para combater esse tipo de incêndio, usamos extintor de Acetato de Potássio, com cilindro de aço inox.

Todo incêndio exige um equipamento específico para ser contido, como extintores ou bombas de incendio, por isso é importante conhecer os seus tipos, para não piorar ainda mais a situação e combater o fogo o quanto antes.

Conclusão

Os incêndios são acidentes que podem acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento, mesmo tomando todos os cuidados necessários.

Toda edificação precisa ter o seu PPCI, para combater o fogo e proteger a vida de todas as pessoas que circulam pelo local. Trata-se de um documento obrigatório e que não deve ser negligenciado.

Neste artigo, você conheceu um pouco mais sobre ele e como deve ser elaborado. Assim, sua construção estará protegida e devidamente equipada para agir.

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.